10 Coisas Que Fazia Se Já Estivesse Tudo Feito


Me time!

Hoje acordei com vontade de fazer uma lista, "10 coisas que fazia se já tivesse tudo feito".

Apesar de já não ser muito intensa, já há mais de um ano que sinto uma certa ansiedade dentro de mim. Com o nascimento dos meus cães e ficar com seis em casa, perdi muita da liberdade de movimento e de tempo que antes só com dois já não era muita. Naquela altura o a correr, passou a ser sempre a correr, e a tentar gerir o comportamento de seis seres com vontade própria e uma energia que não tem fim. Cada bocadinho do dia era stressante e o trabalho que toda esta situação me dava era tanto que não tinha tempo para mais nada.

Ao fim de mais de meio ano, um dia em frente ao espelho da casa-de-banho enquanto escovava os dentes, percebi o estado de ansiedade em que estava e que me sufocava por dentro. Até àquele momento, a correria e o tentar gerir tudo não me permitia sequer parar e perceber o que estava a acontecer comigo. Naquele momento, ao sentir o que sentia, foi como um baque, que primeiro fez surgir em mim uma onda de desespero, para logo em seguida olhar naquele espelho e decidir que tinha de mudar isto.

O primeiro passo foi tentar perceber bem o que estava a sentir. O segundo foi perceber o que estava a causar isto.

Naquele momento deixei-me estar em frente ao espelho por uns minutos. Olhei-me nos olhos e tive uma conversa comigo. Por dentro sentia o que vim depois a "diagnosticar" por ansiedade. Não uma leve ansiedade, mas uma ansiedade intolerável e exaustiva.

Enquanto escovava os dentes sentia o meu corpo e mente já noutro lugar. Era mais do só ter a mente a pensar em mil e umas coisas para fazer. Do que estar a fazer uma coisa e a mente noutro lugar. Era também um corpo que estava desconectado com o que estava a fazer e já focado nas tarefas seguintes.

Para explicar melhor, talvez seja mais fácil falar em termos de energia. Sentia uma divisão. Uma separação. Uma energia minha que estava presente naquele momento, mas uma outra que já lá não estava e me puxava nessa direção.

Só nessa altura percebi o quanto realmente toda a situação pela qual estava a passar me levou não só a tentar controlar tudo sem nunca o conseguir fazer, como a sentir todas essas obrigações constantemente a puxar por mim e o sentido de obrigação de as fazer.

Mas era mais do que isso. Naquele momento em frente ao espelho, tentei perceber a razão do que sentia. A razão desta urgência de completar todos os afazeres que jamais tinham fim e por mais que me esforçasse nunca conseguia fazer tudo.

Tentei perceber para onde a minha energia me puxava e a razão da inquietude da minha mente e do meu corpo.

Percebi então que já há tempo demais estava mergulhada em energia negativa, que bloqueava a minha inspiração. Não todo o tempo, claro, mas a maior parte do meu tempo era dividido por momento de frustração, impaciência, irritação, esgotamento. Sentia-me oprimida, privada da minha liberdade, sobrecarregada, saturada, dominada da minha vontade. E sentia-me também, o que logo depois vim a perceber, sozinha e desamparada.

Percebi também que não me dava tempo para mim. Não só para cuidar de mim, que naquela altura ficou completamente posto de lado, mas principalmente para a minha escrita. Nos momentos em que a minha energia ficava positiva e recebia inspiração e frases, ideias, e reflexões começavam a borbulhar na minha mente, não me permitia parar e escrever ... porque não tinha tempo! Tinha muita coisa para fazer, ou simplesmente naquele momento estava a acabar uma tarefa, como levar os cães à rua, que depois era seguido por outro algo e outro algo.

Percebi o quanto isto me doía por dentro. O quanto este "não tenho tempo", "não posso", "agora não", me estava a destruir por dentro. Por isso tanta urgência. Por isso tanta ansiedade. Percebi naquele momento que todo este puxar dentro de mim e o estar num local ou numa tarefa, mas sentir a minha energia já noutro lado, era um querer desesperado de ter tempo para os meus chamamentos pessoais.

Quando tudo estivesse feito, teria tempo. Ou pelo menos quando tudo estivesse mais organizado e controlado. Mas percebi também, e tenho vindo a perceber mais a cada dia, que esse dia nunca chega.

Ou dedicamos tempo do nosso dia ao que é mais importante para nós, sem desculpas, nem excepções, ou então estamos condenados a uma vida miserável sem propósito, nem satisfação.

Desde aquela altura muito mudou. Não é fácil tentar gerir tudo e ser fiel a nós e às nossas intenções, mas tem sido um trabalho pessoal com progressos a cada dia.

Não tive escolha senão ir aprendendo a ser egoísta, a largar sentidos de obrigação, e preocupação com emoções alheias. Com o tempo fui sendo mais e mais capaz de fazer escolhas e decidir prioridades de uma forma que antes não seria capaz de o fazer. Era uma questão de sobrevivência! Ainda é.

Naquele dia tomei uma decisão. Tenho de voltar a escrever. Tenho de voltar a pôr no papel estes pensamentos que vêm à minha mente.

Não era uma questão de escrita ou querer documentar pensamentos ou querer divulgar esses pensamentos. Era uma questão de entrar em contacto com essa energia positiva que se manifesta sob forma de inspiração e criatividade e que é alimentada e aumentada pela ação. Era este contacto com essa parte de mim que eu tanto ansiava e desesperava por. Sentia-me a morrer por dentro. Perdida de mim.

No entanto aquelas criaturas pequenas e toda a situação em que me encontrava exigiam tanto tempo de mim, que só vi uma solução. Decidi que no final do dia, antes de deitar para dormir, fosse a hora que fosse, ia-me sentar e escrever. E foi assim que fiz. Muitas vezes já passava da meia noite. Muitas vezes até da uma da manhã ou mais tarde. Ás 6h30 da manhã levantava para ir a correr levar os pequenotes à rua para fazer o xixi deles e as noites eram mal dormidas com constantes interrupções destes pequenotes. Mas a decisão foi tomada e foi cumprida com satisfação.

Aquele bocadinho de tempo tornou-se vital para mim. Não era sacrifício. Era vida. Era a minha vida e o meu ser a poder ser.

E foi o primeiro passo para tudo o resto que depois veio. As transformações pessoais e ajustes no dia-a-dia continuaram e continuam. Quanto mais mudo e resolvo, mais outras coisas passam a tornar-se intoleráveis para mim.

Ainda tenho um longo caminho pela frente, eu sei, e também sei que esse caminho nunca vai ter fim, e por isso relaxo e não corro.

Mas há sempre ajustes a fazer. E essa é a razão da minha lista desta manhã, que no fim saltou para este texto.

Com a abertura da loja e todas as obras, escolhas e decisões, o tempo voltou a ficar mais do que apertado, quando já não era muito. Fui tentando estar o mais consciente possível de mim, fazendo ajustes constantes, tornando-me (de forma intencional) mais intolerante, e levando da melhor forma possível.

Hoje, ainda há muita coisa para fazer, mas resolvi já há mais de 1 mês que isso já não é prioridade. Vai-se fazendo. O que está está, o que não está quando der jeito faz-se.

Agora a prioridade é o meu trabalho. Organizar tudo. Pôr as coisas em dia. simplificar tarefas. Mas também aqui há muito muito para fazer. Tanto que se me posso a fazer contas realistas de quanto tempo preciso até, por exemplo, só o meu blogue estar todo organizado, estamos a falar de meses.

E a minha intolerância, que a cada dia é mais definida, tem-me dado conta nos últimos dias que aquela ansiedade extrema e destruidora em que naquela altura vivia e agora já não faz parte de mim, continua presente, mas de uma forma ligeira.

Esta ansiedade que sinto é tão ao de leve que refletindo sobre isto noto que já antes fazia parte de mim. Naquele episódio a minha percepção era que toda aquela situação me levou a ansiedade extrema. E que depois foi abrandando e saindo de mim, até certa altura em que me sentia livre por completo dela.

Agora, não só noto que ainda cá está qualquer coisa, como percebo que já anos antes, ou talvez até a maioria da minha vida, já cá estava. Aquele episódio foi um agravar. Tão gradual que nem dei por isso. Que foi só no limite que parei, sentei e chorei.

Mas tudo é um processo! E são as fases mais difíceis da nossa vida que mais invocam a nossa transformação e consciência de nós mesmos.

Quanto mais consciência temos, mais caminhamos na direção da transformação. E quanto mais transformamos, mais consciência ganhamos de nós e mais queremos transformar.

Por isso hoje fiz esta lista. Para me levar àquele dia em frente ao espelho e voltar novamente a atenção para dentro de mim e perceber o que é esta energia que puxa por mim e para onde quer me levar.

Por isso perguntei a mim mesma ... Se já estivesse tudo feito, o que é que fazias agora?

E é deste ponto de partida que avanço. Não ignorando as coisas que tenho para fazer e pertencem à minha vida no momento. Faz parte do viver a vida. Mas dando ao meu chamamento interior a importância que merece e dedicação que lhe é devida.


#ChamamentoPessoal #Ansiedade


Nota: A foto foi tirada naquela altura que falei após o meu momento de consciência e resolução. Decidi também fazer mais coisas que gostava, como ouvir música e dançar. Tinha auscultadores nos ouvidos para não acordar os cães que já estavam a dormir e não me davam sossego de outra forma :)

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