A Razão Porque Estar Mais Consciente (mindfulness) Não É Suficiente



Sermos mais presentes e conscientes em cada momento da nossa vida é muito importante, mas não é o suficiente para uma mente aliada nos nossos propósitos.

A razão porque não é suficiente é muito simples ... A informação que chega à nossa consciência é muito inferior, insignificante até, do que a que é recebida pelos nossos sentidos e fica na nossa mente. E por isso devemos ter muita atenção com o que trazemos para dentro de nós.

No seguinte esquema de Manfred Zimmermann, em "Human Physiology" de 1989, podemos ver a relação entre a quantidade de informação por segundo que entra na nossa mente e a quantidade que nos é possível ter consciência.



Milhões de bits de informação são apreendidos e enviados pelo sistema nervoso ao cérebro, mas são COMPLETAMENTE DESCONHECIDOS PELA NOSSA CONSCIÊNCIA.

A cada segundo, milhões de bits de informação têm de ser compactados e reduzidos a uma ninharia.

E assim tem de ser!Caso contrário, por um lado dávamos em malucos se tivéssemos de processar toda a informação que chega até nós. Ao fim de 5min já estaríamos exaustos e prontos a encerrar o dia. Por outro lado, não seria possível manter o foco necessário para levar uma tarefa avante. Esta capacidade da nossa mente, de selecionar a informação que nos é relevante, permite-nos estar conscientes do que se passa à nossa volta sem sermos distraídos por tudo e mais alguma coisa.

Assim, a nossa mente decide o que é importante para nós e para a nossa consciência e tudo o resto é ignorado.


Mas como faz essa decisão?Faz de acordo com as crenças e programas que estão no nosso subconsciente. De acordo com estes programas a nossa mente determina o que é importante para nós e ao que vale a pena dar atenção.

Ou seja, em um dia, eu vou ver, vou ouvir, vou sentir, vou cheirar, vou degustar, não tudo o que está a acontecer e está disponível, mas tudo o que a minha mente me permitir ter consciência de.

Mas o meu cérebro e o meu subconsciente teve acesso a muita mais informação, apenas a classificou como sendo não importante, logo não relevante, e por isso nós não temos consciência disso.

Sim, nós conseguimos fazer muitas coisas ao mesmo tempo, muitas mais do que os poucos bits que a nossa consciência nos permite (um total máximo de cerca de 50 bits por segundo), mas só quando essas coisas já se tornaram hábitos e já não requerem a atenção da nossa consciência.

Quando estamos a conduzir, por exemplo, conseguimos ver o trânsito à nossa frente, controlar os pedais de velocidade, manobrar o volante, e até participar de uma conversa com alguém ao nosso lado, no telemóvel, ou até na nossa cabeça. Mas a nossa consciência não está presente em todas estas ações ao mesmo tempo. Quanto muito vai focando e desfocando de assunto para assunto conforme a prioridade do momento.

Se a conversa está intensa e a requerer a nossa concentração, o nosso foco fica lá, muitas vezes tornando a condução perigosa. Se a condução está a exigir a nossa atenção, por exemplo, numa rotunda com muito tráfego, a nossa consciência dá atenção a isso e não consegue manter uma conversa que exija pensamento, reflexão e emoção.

Sempre que fazemos algo que já é o resultado de um hábito, de uma aprendizagem, não precisamos de estar presentes nessa ação. Digo, a nossa consciência não precisa de estar presente! E por isso muitas vezes perde-se nos próprios pensamentos, quer de acontecimentos do passado, quer de expetativas com o futuro.

Estarmos presentes no momento, o tal Mindfulness, é uma prática muito importante para podermos controlar os nossos pensamentos e darmos mais da nossa atenção ao que estamos a fazer, ao que estamos a pensar, e ao que estamos a sentir. Quando não trazemos a nossa consciência para o momento presente, por um lado limitamo-nos a viver por predefinição, de acordo com o hábito e programa que ficou gravado na nossa mente para aquela ação, por outro lado, e talvez até a razão mais importante, a informação que chega aos nossos sentidos e tomamos consciência é ainda muito inferior, por vezes até nula.

A maioria das pessoas vive assim, a oscilar entre o menos e o nada.

Dito isto, falemos então agora de uma pessoa que faz de tudo por estar mais presente no momento presente, por ter a sua consciência alerta e no máximo da sua capacidade. Porque não é isto o suficiente para mudar a sua vida? Porque continua esta pessoa a cair nos mesmos padrões de comportamento e de resultados na sua vida?

Em primeiro lugar, ninguém consegue estar assim, consciente, o tempo todo. Há um motivo pelo qual a nossa mente cria hábitos e programas. É para nos auxiliar, facilitar a vida e deixar livres para novas aprendizagens, e sim, para podermos pensar.

Se fossemos estar sempre conscientes, por exemplo, da nossa respiração, não poderíamos dedicar a nossa atenção a mais nada. Fazer isto por uns minutos é bom, mas o tempo todo seria por a vida em "pausa".

Em segundo lugar, a nossa vida só muda de verdade quando a nossa mente o permite.

Quando a nossa mente quer e acredita no que nós queremos. E para isso é preciso que os programas contraditórios sejam eliminados, substituídos ou pelo menos adormecidos. Uma mente programada para uma vida de dificuldade, não irá permitir que a consciência receba a informação de uma oportunidade ou caminho mais fácil.

Mas como mudar a forma como a nossa mente está formatada e decide o que é melhor para nós, para que ela trabalhe a nosso favor e não contra nós mesmos?

Nenhum programa na nossa mente é definitivo e uma cruz para toda a vida. A nossa mente está disposta a mudar o que quer que seja desde que nós mesmos, a nossa consciência, aceite novas crenças para a sua vida.

Sim, a mente consciente é uma prisioneira da mente subconsciente, mas só até ao momento em que percebe que a porta da rua não está trancada e é só abrir e ser forte o suficiente para sair para um outro mundo novo e desconhecido.

Sim, o familiar tem muita força! Dá conforto! Dá estabilidade, certeza, continuidade e consistência ... por mais que se seja incluído numa realidade de sofrimento, carência, privação e ausência.

Para mudarmos a formatação da nossa mente, podemos, devemos e precisamos de mudar tudo a que damos atenção e tudo com que nos cercamos.

1. É necessário mudar as nossas preferências e estar atentos ao que trazemos para dentro de nós.


Se queremos mudar a nossa vida, temos de mudar o que trazemos para dentro de nós, através dos nossos sentidos. E isto significa mudar o que vemos, mudar o que lemos, mudar as conversas e até as pessoas com quem conversamos.

Uma mente que gosta de dar atenção, seja de ficção ou vida real, a drama, suspense, crime, intrigas, conflitos, etc, irá continuar a ser programada a ver e sentir o mundo dessa forma.

Por outro lado, se dizes que não gostas, é chato, e uma perda de tempo, ver por exemplo um filme que conta uma história de pessoas normais e felizes, com vidas normais e felizes, e acontecimentos normais e felizes, pensa bem na mensagem que continuas a passar para dentro de ti.

2. A nossa mente é moldada pelo que dizemos e a nossa vida também.


Muda o que dizes. Tem atenção às frases feitas, às forças de expressão. Mesmo que digas que saiu sem pensar, que não era isso que querias dizer, que sabes que não é verdade, que não é isso que pensas ... se sai pela tua boca é porque está dentro de ti.

E por outro lado, a tua mente irá continuar a acredita em tudo o que tu dizes.

Por exemplo, tu estás numa conversa e deixas sair a frase, "Dinheiro só traz infelicidade", porque tens essa crença dentro de ti, e mesmo sabendo com o teu consciente que isso não é verdade (na verdade tu até queres mais dinheiro para seres mais feliz), ao repetir a frase estás a validar e a confirmar a crença dentro de ti.

3. Devemos procurar trazer para dentro de nós o que corresponde à vida que queremos ter.


Nem sempre temos uma visão clara do que queremos para nós, mas sabemos muito bem o que não queremos e qual é o oposto disso.

Pensa no que queres e cerca-te de pessoas e material - vídeos, artigos, etc, que te possam ajudar a criar novas crenças na tua mente para a realidade que desejas.

Se, por exemplo, tens uma doença dita incurável ou genética, procura ver, ouvir e ler, testemunhos de pessoas que demonstraram o quanto a ciência e a medicina tantas vezes se engana e o tanto que ainda desconhece e ainda está a aprender.

Mergulha a tua mente em outras realidades, em outras possibilidades. Faz-la acreditar numa vida diferente para ti e ela fará isso por ti.

4. Reduz a quantidade de informação que trazes para dentro de ti.


Quanto mais informação, mais barulho. Mais trabalho para a mente, para o cérebro, e para o corpo, mesmo que nós não tenhamos consciência disso.

A mente torna-se por isso mais acelerada, com mais dificuldade em focar-se em uma tarefa, mais ansiosa, e até mais desligada da sua consciência.

Quanto mais "barulho", mesmo que seja positivo, mais necessidade a mente tem de recorrer aos programas e aos hábitos que já estão formatados, porque no trabalho de fundo, tem muita coisa para armazenar e compartimentalizar.

5. Devemos focar a nossa atenção, não no que nos rodeia e no que pensamos, mas sim na forma como nos sentimos.


Tudo o que sabemos chega até nós através dos nossos sentidos, que são mais do que os cinco aqui referidos, mas só temos consciência de uma pequena porção disso.

Também não podemos confiar nos nossos pensamentos, porque também estes são influenciados pela formatação da nossa mente.

Mas toda a informação é enviada do corpo, através do sistema nervoso, ao cérebro e depois reenviada para o corpo.

O nosso corpo nunca mente! Nós podemos não ter consciência de tudo o que se está a passar na nossa mente, mas podemos sentir!

E podemos usar os nossos sentimentos para nos guiar na direção correta para nós, fazendo o possível por viver em apreciação e gratidão, ou pelo menos dar mais da nossa atenção ao que é melhor para nós e nos faz sentir bem.

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